Prática de exercícios ao ar livre pode facilitar a contaminação pela Covid-19

Prática de exercícios ao ar livre pode facilitar a contaminação pela Covid-19

A prática de exercícios em casa ou em locais públicos se tornou uma das opções para passar o tempo e se manter saudável durante a pandemia da Covid-19. O risco de contaminação durante a realização das atividades, entretanto, está sendo alvo de estudos de pesquisadores em todas as partes do mundo. Profissionais belgas e holandeses realizaram uma simulação computadorizada que recomenda a distância de até 20 metros entre as pessoas que estejam praticando exercícios físicos ao ar livre, a depender da atividade. O estudo, ainda não publicado em revista científica, foi divulgado pela Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, e a Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda. Através da análise de movimentos de caminhada, corrida e pedalada, os pesquisadores concluíram que as partículas de saliva liberadas na prática de atividades ficam no ar logo atrás delas enquanto se movimentam.

Com isso, as simulações apontam o risco maior ao praticar uma caminhada em uma distância inferior a 5 metros da pessoa que está à frente. Para corrida, essa distância mínima é preciso ser ainda maior, cerca de 10 metros. Durante a pedalada, o mais seguro seria dar uma distância de pelo menos 20 metros da pessoa à frente. Ainda de acordo com o estudo, os impactos são menores quando as pessoas estão praticando atividades lado a lado, e em um tempo ameno, com pouco vento. Outra alternativa para evitar a contaminação com as partículas de saliva é se manter na diagonal, evitando ficar imediatamente atrás da outra pessoa.

Com o fechamento dos parques e praças públicas, decretado pelo governo de Pernambuco, que atingiu o Parque da Jaqueira, o casal de médicos Mariléa e Cláudio Guimarães passou a caminhar na Praça 17 de Agosto, na Zona Norte do Recife. “Nos exercitamos todos os dias, acho que o maior risco na nossa idade é ficar sedentário em casa, ansioso, estressado, além de que, as atividades físicas amenizam as comorbidades que temos, diabetes e hipertensão”, afirmou Cláudio. Ciente do estudo, o médico ressalta a importância da prática de atividades. “O sedentarismo é nosso maior problema. No somatório, considerando que a gente ganha com a atividade física, vamos tomar os cuidados e manter as caminhadas”, pontuou.

O estudante Caio Hollanda, de 23 anos, que já conhecia o estudo, contou que fez as adaptações nas práticas de exercícios após ver o resultado das simulações. Com isso, optou por trocar a caminhada que fazia na Praça de Casa Forte pelos pedais. “Eu optei por andar de bicicleta justamente para poder evitar rotas com mais pessoas por perto. Sempre vou às 18h, um horário que tem muitas pessoas caminhando na Praça de Casa Forte, mas o fluxo de carros é bem reduzido nesse horário então posso andar de bicicleta mais tranquilo”, conta, explicando que passou a adotar também o uso da máscara.

Os jovens Rafael Hashimoto, de 20 anos, e Marcos Bastos, de 17 anos, estão entre os adeptos à prática de atividade física ao ar livre na Avenida Beira Rio, na Madalena, Zona Norte do Recife. “Eu costumo correr todos os dias aqui na Beira Rio, agora com a quarentena passei a vir junto com Marcos sempre entre 15h e 16h, quando tem menos gente”, explica Rafael. Alertado sobre o estudo, o jovem explica que vai pensar em formas de se proteger, mas não devem deixar de lado a rotina de exercícios. “Eu corro pela minha imunidade, não quero pensar que vou pegar o vírus, mas quero estar bem de saúde para me proteger dele”, afirma.

A infectologista Andrezza de Vasconcelos confirma que durante a prática as partículas liberadas podem se alastrar por grandes distâncias, sendo difícil prever o impacto na contaminação. “O problema do exercício físico é que mesmo ao ar livre não há garantia que não vão ter pessoas ao redor. Se você for em um local sem ninguém, tudo bem, mas o problema é que não tem como prever. E, até mesmo usando máscaras, o vírus pode se depositar na roupa, nos tênis, na pele, e depois se alastrar para as mucosas”, destacou.

Para ela, nenhuma medida é capaz de evitar o contágio com as gotículas de saliva ao ar livre e, por isso, a recomendação é fazer atividades físicas em casa. “Sigam orientações de personal, educador físico, usando até o próprio peso como resistência, mas evitem sair. A orientação do governo estadual é justamente no sentido de fechar praças e parques para evitar que as pessoas realizem exercícios no mesmo local”, salientou.

CUIDADOS
Para quem insiste na prática ao ar livre, a recomendação do profissional de Educação Física José Fernandes de Moraes é procurar horários com menor movimento de pessoas ou locais sem pessoas praticando atividades, como a rua da sua casa. “É importante que façam a atividade durante 20 ou 30 minutos e, ao término, retornar direto para casa, deixar a roupa separada e tomar banho”, orientou. Vale, ainda, tentar mudar de lado quando avistar alguém próximo a você ou correr na direção contrária. O profissional, no entanto, desaconselha o uso da máscara.

“A máscara pode ajudar até um certo momento, mas pode também se tornar um vetor para a entrada do vírus quando umedecida”, afirmou. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 150 minutos por semana de atividades moderadas. “A prática de forma intensa corre o risco da imunidade baixar devido ao estresse que a atividade vai causar no corpo”, explicou Fernandes. Para ele, a melhor forma de se exercitar é em casa, procurando sempre se hidratar e evitando colocar mãos nos olhos ou na boca.

“Bastam 30 minutos por dia, já é suficiente. É importante ter um dia de descanso, então aconselho a prática seis vezes na semana”, acrescentou, ainda, que as tarefas domésticas, também servem como atividades físicas leves ou moderadas.“Quem é sedentário também pode treinar, mas sempre apostando em exercícios de baixa complexidade, usando peso corporal, mantendo a alimentação controlada”, revelou.

Fonte: Diário de Pernambuco

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